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André Mendonça grava documentário sobre história de amor e superação de casal em Patos de Minas

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Produtor, diretor e roteirista passou três dias na fazenda de Luís Ricardo e Glenda para registrar uma história real de amor, fé e superação, com depoimentos de familiares e amigos.

Às 4h30 da madrugada, enquanto boa parte das pessoas ainda dorme, Glenda já está de pé. É hora de preparar o café, ajudar o marido a sair da cama e acomodá-lo na cadeira de rodas. Depois, começam os cuidados com os animais e as demais tarefas da fazenda. Uma rotina que se repete diariamente e exige dedicação, força e companheirismo.

Foi essa realidade que o produtor audiovisual, diretor e roteirista André Mendonça conheceu de perto durante as gravações do documentário Enquanto Houver Amor – Nossa História de Superação, Amor e Fé, realizadas nos dias 9, 10 e 11 de outubro, em uma fazenda no município de Patos de Minas, no Alto Paranaíba.

Durante três dias, André acompanhou o cotidiano de Luís Ricardo de Melo e Glenda Santos, registrando momentos que revelam uma história real marcada pelo amor, pela fé, pelas perdas e pela capacidade de seguir em frente diante das dificuldades.

Uma rotina de cuidado e dedicação

Na fazenda, o dia começa antes do amanhecer. Além de ajudar Luís nas atividades que ele já não consegue realizar sozinho, Glenda cuida da ordenha das vacas, dos cavalos, das galinhas, da horta e de outras responsabilidades da propriedade.

É uma rotina que não conhece domingos nem feriados. Enquanto os trabalhos do campo continuam, os cuidados com o marido também fazem parte de cada etapa do dia.

Por trás das tarefas aparentemente simples estão a dedicação permanente, as adaptações e o esforço necessário para manter a vida seguindo seu curso.

“Estar com o Luís e a Glenda durante esses três dias foi uma experiência muito marcante. Uma coisa é conhecer uma história por meio de um livro; outra é estar ali, acompanhar a rotina e perceber tudo o que acontece antes mesmo de o dia começar. O amor está nos pequenos gestos, no cuidado diário e na disposição de continuar, mesmo quando a rotina é difícil”, relata André Mendonça.

Uma história marcada por perdas, fé e recomeços

Nascido em Patos de Minas, em 1979, Luís Ricardo cresceu na zona rural, desenvolvendo desde cedo uma ligação com a terra e com o trabalho na fazenda.

Ele conheceu Glenda em 9 de abril de 2005, e os dois se casaram em 27 de outubro de 2007. Naquele período, a família começou a enfrentar uma série de desafios de saúde. A mãe de Luís recebeu o diagnóstico de câncer de intestino, e seu pai também enfrentou um câncer de próstata.

Em 2008, Luís começou a apresentar problemas de equilíbrio, perda de força e dificuldades de coordenação motora. Após anos de consultas e incertezas, recebeu, em 28 de maio de 2012, o diagnóstico de esclerose múltipla, doença que passou a transformar progressivamente sua rotina.

No mesmo ano, ele perdeu a mãe. Em 2024, enfrentou outra despedida dolorosa com a morte do pai.

Ao longo dessa trajetória, Glenda permaneceu ao seu lado, compartilhando as responsabilidades familiares e os desafios impostos pela doença. Com o avanço das limitações físicas, Luís passou a precisar de mais auxílio nas atividades cotidianas. Em 2019, começou a utilizar cadeira de rodas.

A história dos dois, entretanto, não se resume às dificuldades. A fé, a solidariedade e o apoio de familiares e amigos também se tornaram fundamentais nessa caminhada.

Em 2022, Luís recebeu uma homenagem relacionada ao programa Balde Cheio, do SENAR, por sua trajetória no campo. Já em 2024, uma mobilização de amigos e pessoas solidárias contribuiu para a realização de adaptações na residência do casal, buscando proporcionar mais conforto e acessibilidade.

Do livro para as telas

O documentário nasceu a partir do livro Enquanto Houver Amor, escrito por Luís Ricardo de Melo e Glenda Santos e publicado em 2025. A obra apresenta relatos sobre a infância no campo, a história do casal, os desafios relacionados à esclerose múltipla, as perdas familiares e os gestos de solidariedade que marcaram suas vidas.

Agora, essa trajetória ganha uma nova forma por meio do audiovisual. Com direção, roteiro e produção de André Mendonça, o projeto é uma realização da Viva Filmes Produções.

Além das imagens da rotina do casal na fazenda, o documentário reúne depoimentos de familiares e amigos, que compartilham lembranças, experiências e percepções sobre a caminhada de Luís e Glenda. Os testemunhos ampliam o olhar sobre essa história e mostram como os desafios enfrentados pelo casal também marcaram a vida das pessoas que estiveram ao seu lado.

A proposta é apresentar ao público não apenas a doença e suas consequências, mas também as pessoas por trás dessa trajetória: seus sonhos, suas relações, o vínculo com a vida no campo e os pequenos momentos que continuam dando sentido à caminhada.

“Quero que as pessoas conheçam essa história para além do diagnóstico. O Luís não é apenas alguém que enfrenta uma doença, e a Glenda não é apenas alguém que cuida. São duas pessoas com uma trajetória, uma família, sonhos e uma vida construída juntos. Ouvir também as pessoas que fazem parte dessa história é importante para mostrar o quanto os laços de afeto e a solidariedade fazem diferença. Meu objetivo é registrar essa realidade com sensibilidade e respeito”, afirma André.

Uma história que merece ser contada

Ao longo das gravações, a fazenda se tornou o cenário de uma história cuja força está nos detalhes: no café preparado antes do amanhecer, nos cuidados diários, no trabalho que precisa continuar e na presença de quem permanece ao lado do outro mesmo quando a vida toma um rumo inesperado.

Com Enquanto Houver Amor – Nossa História de Superação, Amor e Fé, André Mendonça busca transformar essa experiência em um registro audiovisual capaz de emocionar o público e provocar reflexões sobre companheirismo, fé, solidariedade e superação.

Porque, às vezes, as maiores demonstrações de amor não estão nas grandes declarações, mas nos gestos que se repetem todos os dias, na disposição de recomeçar e na presença que permanece quando tudo muda.

É essa história real que o documentário pretende levar às telas: a trajetória de duas pessoas que, diante das adversidades, continuam construindo a própria vida, um dia de cada vez.

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